quarta-feira, 3 junho, 2026
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Tarifaço mudou, mas risco segue no ES: rochas, pescados, café solúvel e aço sob pressão

De um lado, produtos livres do novo tarifaço. Do outro, itens ainda ameaçados. ES precisa encontrar soluções para ameaças da cadeia produtiva. Crédito: Ilustração feita com IA

O novo movimento dos Estados Unidos contra produtos brasileiros não recoloca toda a pauta exportadora do Espírito Santo na mesma zona de perigo. O desenho é mais seletivo. E, justamente por isso, exige uma leitura mais fria. Café, pimenta, gengibre, mamão, celulose e minério respiram melhor. Ao mesmo tempo, rochas ornamentais, pescados, café solúvel e aço continuam sob pressão. O problema deixou de ser apenas o tamanho do tarifaço e passou a ser a exposição específica de cada cadeia.

A proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês) de aplicar um tarifaço adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras tem exceções relevantes. Nesse sentido, isso reduz o impacto sobre produtos estratégicos para a economia americana e também para o Espírito Santo. No entanto, a lista não elimina o risco. Ela apenas desloca o centro da preocupação.

O setor de rochas naturais é o exemplo mais claro. Uma parte da pauta foi protegida, porém granitos, mármores, ardósias bem como outros materiais seguem potencialmente expostos ao tarifaço.

Veja o risco do tarifaço para cada produto do ES:

Produto capixabaSituação com as novas medidas dos EUA
Rochas ornamentais trabalhadasMaior risco imediato. O código HTSUS 6802.99.00 aparece entre as exceções do tarifaço, no entanto granitos, mármores, ardósias e outros materiais podem ficar fora.
PescadosRisco elevado. Não aparecem com clareza nas exceções e podem sofrer impacto direto da tarifa adicional.
Café solúvelRisco moderado a alto. Café em grão e vários derivados têm proteção, mas parte do café instantâneo exige análise por código tarifário.
Aço e semimanufaturados de ferro e açoRisco estrutural. O setor segue submetido à política americana específica para metais, porém fora da lógica comum das exceções brasileiras.
Café em grãoRisco menor no momento. Está entre os produtos protegidos nas exceções do tarifaço.
Pimenta-do-reinoRisco menor. Aparece entre as exceções.
GengibreRisco menor. O produto aparece entre as exceções.
MamãoRisco menor. Também aparece entre os itens preservados do tarifaço.
CeluloseRisco menor. A pauta de polpa química de madeira foi contemplada nas exceções.
Minério de ferroRisco menor. Está na lista de exceções.
Petróleo brutoRisco menor. Energia foi tratada como item estratégico preservado do tarifaço.

Há ainda uma segunda camada de incerteza. Além da proposta de tarifaço adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, os Estados Unidos também abriram uma frente global relacionada a trabalho forçado. E possibilidade de cobrança extra de até 12,5% para países sem regras consideradas suficientes de restrição a esse tipo de importação. E, nesse sentido, o Brasil está incluído.

Para o Espírito Santo, esse ponto ainda exige cautela, porque o impacto dependerá do enquadramento final por produto, código tarifário e eventuais exceções. Na prática, ele amplia o risco para cadeias que já estão na zona cinzenta do tarifaço, como rochas, pescados, café solúvel e manufaturados industriais.

Findes prega diálogo sobre tarifaço

A Findes colocou o tarifaço no ponto certo ao defender diálogo técnico e cooperação institucional. O dado mais pesado está no comunicado da entidade. No primeiro quadrimestre de 2026, o Espírito Santo exportou US$ 752,82 milhões (R$ R$ 3,8 bilhões) para os Estados Unidos, o equivalente a 24,32% das vendas externas capixabas.