De um lado, produtos livres do novo tarifaço. Do outro, itens ainda ameaçados. ES precisa encontrar soluções para ameaças da cadeia produtiva. Crédito: Ilustração feita com IA
O novo movimento dos Estados Unidos contra produtos brasileiros não recoloca toda a pauta exportadora do Espírito Santo na mesma zona de perigo. O desenho é mais seletivo. E, justamente por isso, exige uma leitura mais fria. Café, pimenta, gengibre, mamão, celulose e minério respiram melhor. Ao mesmo tempo, rochas ornamentais, pescados, café solúvel e aço continuam sob pressão. O problema deixou de ser apenas o tamanho do tarifaço e passou a ser a exposição específica de cada cadeia.

A proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês) de aplicar um tarifaço adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras tem exceções relevantes. Nesse sentido, isso reduz o impacto sobre produtos estratégicos para a economia americana e também para o Espírito Santo. No entanto, a lista não elimina o risco. Ela apenas desloca o centro da preocupação.
O setor de rochas naturais é o exemplo mais claro. Uma parte da pauta foi protegida, porém granitos, mármores, ardósias bem como outros materiais seguem potencialmente expostos ao tarifaço.

Veja o risco do tarifaço para cada produto do ES:
| Produto capixaba | Situação com as novas medidas dos EUA |
|---|---|
| Rochas ornamentais trabalhadas | Maior risco imediato. O código HTSUS 6802.99.00 aparece entre as exceções do tarifaço, no entanto granitos, mármores, ardósias e outros materiais podem ficar fora. |
| Pescados | Risco elevado. Não aparecem com clareza nas exceções e podem sofrer impacto direto da tarifa adicional. |
| Café solúvel | Risco moderado a alto. Café em grão e vários derivados têm proteção, mas parte do café instantâneo exige análise por código tarifário. |
| Aço e semimanufaturados de ferro e aço | Risco estrutural. O setor segue submetido à política americana específica para metais, porém fora da lógica comum das exceções brasileiras. |
| Café em grão | Risco menor no momento. Está entre os produtos protegidos nas exceções do tarifaço. |
| Pimenta-do-reino | Risco menor. Aparece entre as exceções. |
| Gengibre | Risco menor. O produto aparece entre as exceções. |
| Mamão | Risco menor. Também aparece entre os itens preservados do tarifaço. |
| Celulose | Risco menor. A pauta de polpa química de madeira foi contemplada nas exceções. |
| Minério de ferro | Risco menor. Está na lista de exceções. |
| Petróleo bruto | Risco menor. Energia foi tratada como item estratégico preservado do tarifaço. |
Há ainda uma segunda camada de incerteza. Além da proposta de tarifaço adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, os Estados Unidos também abriram uma frente global relacionada a trabalho forçado. E possibilidade de cobrança extra de até 12,5% para países sem regras consideradas suficientes de restrição a esse tipo de importação. E, nesse sentido, o Brasil está incluído.
Para o Espírito Santo, esse ponto ainda exige cautela, porque o impacto dependerá do enquadramento final por produto, código tarifário e eventuais exceções. Na prática, ele amplia o risco para cadeias que já estão na zona cinzenta do tarifaço, como rochas, pescados, café solúvel e manufaturados industriais.
Findes prega diálogo sobre tarifaço
A Findes colocou o tarifaço no ponto certo ao defender diálogo técnico e cooperação institucional. O dado mais pesado está no comunicado da entidade. No primeiro quadrimestre de 2026, o Espírito Santo exportou US$ 752,82 milhões (R$ R$ 3,8 bilhões) para os Estados Unidos, o equivalente a 24,32% das vendas externas capixabas.





