A Justiça do Espírito Santo tornou réu Admilson de Jesus Agapito, acusado de torturar e matar a própria filha, Eloara de Jesus Izidorio, de apenas 1 ano e 11 meses.
A decisão, publicada nesta terça-feira (23), acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar.
O crime ocorreu em uma área rural do distrito de Jacupemba, em Aracruz, no Norte do Estado. Além de receber a denúncia, a Justiça negou o pedido da defesa para revogação da prisão preventiva, mantendo o acusado detido.
A decisão foi assinada pela juíza Lara Carrera Arrabal Klein, que destacou a gravidade dos fatos investigados e a existência de elementos que apontam para a materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.
Em nota, a advogada de defesa, Flávia Falquetto Raposa, informou que recebeu a decisão com respeito e ressaltou que o processo ainda está em fase inicial. Segundo ela, a defesa já apresentou documentos, informações e uma investigação própria que sustentam a tese de inocência do acusado.
“A defesa já apresentou nos autos investigação defensiva própria, com documentos e informações que apontam para a tese defensiva sustentada desde o início, bem como protocolou o respectivo rol de testemunhas que serão ouvidas durante a instrução processual”, afirmou.
A advogada acrescentou que, ao longo da tramitação do processo, pretende demonstrar a inocência de Admilson perante o Poder Judiciário.
Investigação
De acordo com o MPES, a denúncia foi baseada em laudos periciais, exames cadavéricos, laudos médicos, fotografias, mensagens de áudio e depoimentos de testemunhas colhidos durante a investigação.
A mãe da criança também chegou a ser investigada, mas o Ministério Público solicitou o arquivamento parcial e subjetivo do inquérito em relação a ela, por entender que não havia elementos suficientes para apresentação de denúncia.
Relembre o caso
Segundo as investigações, Eloara teria sido agredida pelo pai no dia 4 de abril deste ano. A menina foi levada para atendimento médico apenas no dia seguinte, no Pronto Atendimento de Jacupemba, onde profissionais constataram diversos ferimentos pelo corpo.Imagens registradas por uma tia da criança, irmã da mãe da vítima, mostram hematomas, além de inchaços e marcas de agressão.
A mulher afirmou que o acusado teria ameaçado sua irmã com um facão quando ela tentou impedir as agressões. Ainda conforme o relato da tia, Admilson teria confessado as agressões aos policiais.“Ele falou que bateu na menina, que bateu a cabeça dela na cama e a agrediu com cipó e tábua”, relatou.



