sexta-feira, 6 março, 2026
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Cinco municípios Capixabas rejeitam acordo de reparação da tragédia da barragem de Mariana

Cinco dos 11 municípios capixabas afetados pela tragédia da barragem de Mariana, em 2015, decidiram não aceitar o acordo de reparação oferecido pela Justiça brasileira. Aracruz, Baixo Guandu, Colatina, Marilândia e Sooretama optaram por continuar suas ações judiciais na Inglaterra, sede da BHP Billiton, uma das acionistas da Samarco, responsável pelo desastre. Os prefeitos alegaram que o valor ofertado, superior a R$ 6 bilhões em 20 prestações ao longo de 20 anos, não atende às necessidades financeiras de suas cidades.

A barragem de Fundão, da Samarco, colapsou em novembro de 2015, liberando mais de 44 milhões de m³ de rejeitos e causando a morte de 19 pessoas, além de devastar a bacia do rio Doce. O acordo de reparação homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) totaliza R$ 170 bilhões, com valores destinados a indenizações e ações de compensação. Entretanto, os municípios que recusaram a proposta acreditam que a ação judicial em andamento na Inglaterra pode resultar em indenizações superiores, reivindicando mais de R$ 260 bilhões.

Os prefeitos dos municípios afetados expressaram suas preocupações sobre os termos do acordo. O prefeito de Aracruz, Dr. Coutinho, destacou que a decisão foi baseada em critérios técnicos e na busca por uma reparação justa. O prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Luiz Cardoso, enfatizou que a proposta brasileira não atende aos interesses da cidade, sendo inferior ao que pode ser conquistado na Justiça inglesa. Colatina, Marilândia e Sooretama também manifestaram descontentamento com os valores e prazos de pagamento estabelecidos.

O governo federal estima que mais de 300 mil pessoas afetadas pelo desastre receberão indenizações, com valores variando conforme o impacto da tragédia. No entanto, os municípios que optaram por não aderir ao acordo continuarão apostando na Justiça internacional, em busca de reparações mais justas pelos danos sociais e econômicos resultantes do colapso da barragem. A expectativa é que a sentença da ação na Inglaterra seja proferida ainda este ano, o que poderá mudar o cenário de reparação para essas cidades.