A Prefeitura de Linhares se manifestou após a interdição realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES), nesta segunda-feira (6), no Hospital Geral de Linhares (HGL). A medida foi motivada pela ausência de um profissional de enfermagem exclusivo para atuar no setor de classificação de risco da unidade.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde contestou a avaliação do Conselho. Segundo a pasta, a triagem mencionada pelo Coren, realizada na área da rampa, tinha como finalidade apenas direcionar pacientes que buscavam atendimento ambulatorial. Esses pacientes, de acordo com a secretaria, eram encaminhados ao Pronto-Socorro Clínico, conhecido como Sentinela.
Por outro lado, o Coren-ES informou que a interdição ocorreu após sucessivas fiscalizações e notificações emitidas pelo órgão, principalmente relacionadas à atuação inadequada dos profissionais de enfermagem.
O Conselho destacou que o setor funcionava sem um enfermeiro exclusivo para a classificação de risco — atividade considerada privativa e essencial para garantir a segurança do atendimento. Durante a fiscalização, foi constatado que o profissional responsável acumulava funções com a sala vermelha, o que, segundo o órgão, pode comprometer o processo assistencial e representar risco imediato para pacientes e profissionais.
O conselheiro-secretário do Coren-ES, Leonardo França Vieira, classificou a situação como inaceitável diante da responsabilidade dos serviços de urgência e emergência. Ele afirmou que a ausência de um enfermeiro dedicado à classificação de risco compromete diretamente a segurança da população e exige intervenção imediata.
Já o presidente do Coren-ES, Wilton José Patrício, afirmou que a interdição foi adotada após um processo contínuo de fiscalização e diálogo institucional que, segundo ele, não resultou nas adequações necessárias por parte da unidade. De acordo com o presidente, a medida busca garantir a qualidade da assistência prestada à população.
A Prefeitura, por sua vez, reforçou que a entrada pela rampa é destinada exclusivamente a casos de urgência e emergência, com pacientes transportados por ambulâncias do Samu, da Eco 101 e do Corpo de Bombeiros, a fim de assegurar agilidade no atendimento.
A administração municipal também informou que a classificação de risco do HGL é realizada na entrada do Pronto-Socorro Clínico (Sentinela) e reiterou que a triagem na rampa serve apenas para direcionamento de pacientes. Em situações excepcionais, veículos particulares que prestam socorro também podem acessar o local, sendo os pacientes acolhidos pela equipe.
Segundo o Coren-ES, a interdição ética permanece em vigor até que o hospital comprove o cumprimento integral das exigências legais e normativas. A liberação do setor dependerá de nova inspeção técnica e da emissão de parecer favorável do Conselho.
Por fim, a Prefeitura informou que o quadro atual de profissionais do hospital está completo, mas que novas convocações para a área de enfermagem já foram solicitadas, com profissionais em fase de apresentação.




