Uma fábrica de reciclagem e beneficiamento de alumínio em Linhares vai investir R$ 105 milhões e criar 50 empregos diretos em 2026, com plano de chegar a cerca de 150 funcionários nos próximos três anos.
A chegada do parque fabril, que ficará no distrito industrial de Bebedouro, foi anunciada pelo vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento, Franco Fiorot.
As obras da fábrica da Alugreen, que começaram há cerca de um mês, já passaram por terraplanagem e estão atualmente na fase de construção das fundações.
Segundo Fiorot, serão 3 mil metros quadrados utilizados na primeira etapa de construção, com a perspectiva de chegar a 10 mil m de área construída ao final das três fases de implantação — que acontecem durante os próximos dois anos.
A empresa, que possui sede em Minas Gerais, é responsável por receber alumínio para reciclagem — como latinhas de bebida, embalagens de alimento, panelas, eletrodomésticos — e transformar esse material em outros dois produtos: o deoxante de alumínio e ligas de alumínio.
O primeiro, utilizado principalmente pelas indústrias siderúrgicas, será o produto a ser fabricado na primeira fase de operação, conta o sócio da Alugreen, Oswaldo Cury.
Já as ligas de alumínio começam a ser produzidas na metade de 2027, quando a segunda fase das obras será concluída.
A produção, de acordo com o empresário, tem potencial para movimentar uma cadeia de empregos indiretos e retirar até 3,6 mil toneladas de sucata das ruas.
“Podemos reciclar várias vezes a lata de alumínio, por exemplo. Ela não perde a característica. Com isso, utilizamos apenas 5% da energia que seria necessária para produzir a partir da bauxita”, explica.
A empresa vai utilizar, para a produção do deoxante e das ligas, 100% de alumínio reciclado — vindos de cidades capixabas e também de regiões do Nordeste.
“As ligas podem virar luminárias, caixas de luz, peças automobilísticas, bicicletas e outros produtos. Existem várias oportunidades de negócio”, conta.
Empreendimento
Com obras já em execução, a Alugreen, empresa mineira de reciclagem de alumínio, vai iniciar as operações de uma fábrica em Linhares, no Norte do Estado, em julho.
Serão investidos, neste ano, R$ 45 milhões para a construção da fábrica — com outros R$ 60 milhões previstos para as duas etapas finais do projeto.
Serão 3 mil metros quadrados iniciais de construção, com objetivo de chegar a 10 mil m durante a implantação das outras fases.
Empregos
A expectativa é gerar 50 empregos diretos na fase inicial da operação. Com a expansão do projeto, a projeção é alcançar cerca de 150 funcionários em dois a três anos.
O empreendimento também deve impulsionar a geração de empregos indiretos, especialmente na cadeia de coleta e reciclagem de alumínio.
cada emprego criado na empresa abre oportunidade para outros 10 empregos indiretos na cadeia, segundo dados da Alugreen.
Capacidade produtiva
A fábrica começará com produção gradual até atingir capacidade de 1.500 toneladas por ano. Em 2027, com a instalação de novos fornos, a produção deve dobrar para 3.000 toneladas anuais.
A projeção é consumir cerca de 1.800 toneladas de sucata de alumínio no primeiro ano e aproximadamente 3.600 toneladas no segundo, com possibilidade de expansão conforme a demanda.
Matéria-prima e logística
A unidade vai utilizar sucata de alumínio gerada no Espírito Santo e também material vindo do Nordeste, aproveitando a posição logística estratégica do Estado.
A proposta é beneficiar essa sucata localmente e fornecer liga de alumínio (lingotes) para o Sudeste.
Hoje, parte relevante da sucata produzida no Espírito Santo é enviada para outros estados, para beneficiamento, e retorna como produto com valor agregado. A nova fábrica busca inverter essa lógica.
Mercados atendidos
A liga de alumínio produzida será destinada inicialmente à indústria siderúrgica, principalmente para desoxidação do aço.
Em uma segunda fase, a produção será voltada à fabricação de peças para diferentes setores industriais. Entre os mercados potenciais, estão a indústria automotiva, a indústria naval, fabricantes de equipamentos elétricos, esquadrias metálicas e outros segmentos que utilizam alumínio como matéria-prima.
Impacto econômico
O empreendimento deve estimular a criação de novas indústrias que dependem da liga de alumínio como insumo. A disponibilidade local da matéria-prima tende a reduzir custos e incentivar a instalação de empresas que fabricam peças e produtos de alumínio no Estado.
A cadeia da reciclagem também deve ser fortalecida, desde a coleta da sucata até o fornecimento de matéria-prima para a indústria.
Sustentabilidade
A reciclagem do alumínio consome cerca de 5% da energia necessária para produzir o metal a partir da bauxita. O projeto aposta na economia circular e na redução do impacto ambiental ao transformar sucata em matéria-prima industrial.




