Um jovem de São Mateus, no Norte do Espírito Santo, perdeu a vida durante os combates na Ucrânia. Jardel Sipriano Caetano, de 23 anos, recebeu a trágica notícia de sua morte em uma ligação feita à sua família na última quarta-feira (29).
“Um sargento me ligou e disse que o soldado Jardel ‘tombou’. Na linguagem deles, isso significa que ele havia morrido. Foi um golpe muito duro”, relembra Ana Paula Caetano de Souza, professora de 35 anos e irmã de consideração de Jardel. Ela conta que a família viveu dias de angústia e incerteza, após receberem um áudio do próprio Jardel, informando que havia sido ferido.
“Recebi um áudio dele no dia 19 deste mês, dizendo que tinha sido ferido. Ele falou: ‘Paulinha, ore por nós, porque eu e meus colegas fomos feridos’. No final, ele disse: ‘tia, eu te amo’. Minha mãe, que é tia dele, mas o criou como filho, também o amava profundamente. No momento em que escutei aquele áudio, soube que ele estava se despedindo”, relata Ana Paula.
Após o envio do áudio, Ana Paula não teve mais notícias do jovem e passou a buscar informações através de um oficial. “Me disseram que ele estava ferido, mas não corria risco de vida e que estavam tentando retirá-lo da linha de combate. Os dias passaram, a angústia só aumentava. Eu não sabia se ele estava vivo ou morto. Foi quando consegui entrar em contato com um sargento, que finalmente confirmou a morte dele. Eu já acreditava que ele havia falecido desde o momento em que me mandou aquele áudio, mas só fomos informados oficialmente no dia 29”, lamenta a irmã.
Na mesma ligação, o sargento informou que, dentro de seis meses, o consulado brasileiro entraria em contato com a família para fornecer mais informações sobre a morte e providenciar o atestado de óbito. “Ainda não procuramos apoio do governo brasileiro, nem recebemos instruções sobre o que fazer. Disseram que o corpo ficará na Ucrânia, e isso é o que mais nos dói: não poder dar um último adeus”, desabafa Ana Paula.
Jovem sonhava em lutar na guerra
Jardel trabalhava como motorista em São Mateus antes de viajar para a Ucrânia em janeiro deste ano, sem avisar a família. Segundo Ana Paula, ele tinha o sonho de lutar pelo país. “Ele foi embora no dia 28 de janeiro. Era o sonho dele estar lá, mas minha mãe o aconselhou muito a não ir. Ele foi às escondidas e disse que fez isso para não deixar minha mãe chorar e impedir sua ida”, conta a irmã.
Na Ucrânia, Jardel servia como soldado fuzileiro do exército e frequentemente compartilhava com a família fotos e vídeos do combate. “Eu e minha mãe o amaremos para sempre. Ele foi muito corajoso, um verdadeiro guerreiro, um herói. Ele morreu feliz porque realizou seu sonho”, conclui Ana Paula.




