As estradas estaduais de Minas Gerais vão receber, no prazo de dois anos, 1.300 radares “inteligentes”. A promessa do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), órgão do governo de Minas, é que os equipamentos fiscalizem até trajetos atípicos de veículos. O primeiro “lote” de instalação começa já no mês que vem.

Segundo o DER-MG, mais do que medir a velocidade dos veículos, “os equipamentos inteligentes vão operar como uma ferramenta estratégica de gestão e segurança, com capacidade de leitura automática de placas em tempo real e análise de dados em larga escala”. Os novos radares são capazes de monitorar a circulação de veículos de forma contínua, identificar automóveis roubados ou clonados, cruzar informações e detectar padrões de comportamento fora do comum, como deslocamentos atípicos e a circulação recorrente de veículos em comboio.
“Na prática, isso amplia significativamente a capacidade de fiscalização e torna as ações mais direcionadas. Situações como transporte clandestino ou uso irregular de autorizações, como a Autorização de Transporte Fretado (ATF) e a Autorização Especial de Transporte (AET), passam a ser identificadas com mais precisão”, explicou o departamento. Segundo o diretor de operação viária do DER-MG, Rodrigo Santos Colares, se um veículo percorre o mesmo trajeto diversas vezes ao dia ou apresenta um padrão de circulação incomum, o sistema sinaliza automaticamente, permitindo que a fiscalização atue de forma muito mais assertiva.
Os dados coletados pelos radares serão integrados e processados automaticamente, permitindo o cruzamento com bases já existentes e gerando alertas instantâneos. Para o governo de Minas, isso se traduz em uma fiscalização orientada por inteligência, com menos abordagens aleatórias e maior efetividade no combate a irregularidades. O resultado esperado é uma melhora consistente na segurança viária e na fiscalização de transportes nas rodovias mineiras.
Os locais de instalação dos radares foram escolhidos com base em estudos de geoprocessamento e análise consolidada de dados, priorizando especialmente trechos com maior incidência de acidentes. A ideia é, além do ganho operacional, trazer impactos diretos para os usuários das rodovias, como redução de riscos, melhoria nas condições de circulação e, a médio prazo, efeitos positivos até mesmo em custos associados, como no caso do potencial barateamento dos seguros veiculares.
“Os novos radares têm potencial para gerar cerca de R$ 76 milhões em economia relacionada aos custos com acidentes nas rodovias. Vale destacar que menos de 1% dos veículos que passam por radares são autuados, informação que contribui para desmistificar a ideia de que esses equipamentos servem prioritariamente para aplicação de multas, evidenciando seu papel estratégico na prevenção de acidentes e na segurança viária”, afirmou o governo por nota.

Os primeiros 210 dispositivos começam a ser instalados a partir do próximo mês e serão incorporados à atual rede, que conta com 614 radares. Gradualmente, os modelos mais antigos serão substituídos pela nova tecnologia. A expectativa é que, até 2028, Minas Gerais conte com 1.300 radares inteligentes distribuídos por toda a malha rodoviária estadual.
Para o Diretor-Geral do DER-MG, Matheus Novais, a iniciativa marca uma mudança de paradigma na gestão rodoviária. “Estamos saindo de um modelo essencialmente reativo para uma atuação baseada em dados e inteligência. Isso nos permite antecipar problemas, otimizar recursos e ampliar o papel do DER-MG na segurança pública e no desenvolvimento do estado”, afirma.
Compartilhamento de dados
Segundo o governo de Minas, o uso estratégico das informações também abre caminho para integrações futuras com outros órgãos, como a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) e a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG), “ampliando o alcance da ferramenta e potencializando ações conjuntas”. O Executivo não explicou, contudo, como será o uso dessa informação pela SEF, se também haverá fiscalização de veículos com documentos em atraso.




