PCES deflagra Operação ‘Castelo de Areia’ contra organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Superintendência de Polícia Especializada (SPE), do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) e do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), deflagrou a Operação “Castelo de Areia”. A ação ocorreu na manhã no último dia 27 e cumpriu dois mandados de prisão e de 20 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Poder Judiciário, nos municípios de Baixo Guandu, Colatina, Serra, Cariacica, Vila Velha, Guarapari e na cidade mineira de Aimorés.

As investigações, conduzidas pelo LAB-LD, apuram a prática dos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, estelionato e falsidade ideológica. Os principais alvos da operação — um homem de 37 anos e uma mulher de 34 anos — são investigados por ligação com uma organização criminosa especializada em crimes patrimoniais de grande vulto, como roubos de carga e um furto a uma instituição financeira ocorrido no município de Guarapari, em 2018.

A operação contou com a participação de cerca de 50 policiais civis de diversas unidades, entre elas as Delegacias de Polícia de Baixo Guandu, Colatina, São Gabriel da Palha e Guarapari, além do apoio especializado do Desarme, da Dracco, da Diccor e da Dccot.

Durante coletiva de imprensa realizada nessa terça-feira (03), na Chefatura de Polícia Civil, em Vitória, o delegado-geral da PCES, José Darcy Arruda, destacou a relevância do trabalho de inteligência para o êxito da operação. “A investigação teve como foco um indivíduo que sempre atuou de forma violenta, com a prática de furtos e roubos a instituições bancárias. Posteriormente, ele passou a atuar com agiotagem e fraudes veiculares, chegando a movimentar cerca de R$ 70 milhões. Atualmente, a Core trabalha na localização desses valores para que possam ser repatriados ao Estado”, afirmou o delegado-geral.

O titular da Delegacia de Polícia de Governador Lindenberg, delegado Valdimar Chieppe, detalhou os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados, entre eles três motocicletas, quatro veículos automotores e um extenso acervo documental, composto por aproximadamente 1.500 notas promissórias e diversos documentos de veículos. “Também foram localizadas, na residência, duas armas de fogo, sendo duas espingardas, além de munições de três calibres distintos. No momento das buscas, o alvo principal não se encontrava no local, estando presente apenas um parente próximo, que acompanhou a diligência”, relatou Chieppe.

De acordo com o delegado Anderson Pimentel, do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), a análise dos registros contábeis confirmou a prática reiterada de agiotagem e indicou que o investigado tinha cerca de R$ 8 milhões de origem ilícita, sem recolhimento de tributos. Conforme apurado, a residência do principal investigado funcionava como base operacional do esquema criminoso, sendo a garagem utilizada como escritório para as movimentações financeiras. No local, foram encontrados veículos registrados em nome de terceiros, além de contratos de compra e venda de imóveis utilizados como garantia para os empréstimos ilegais. 

“O investigado emprestava dinheiro e, como forma de garantir o recebimento, firmava contratos de compra e venda de imóveis, como lotes, casas ou apartamentos. Caso o devedor não efetuasse o pagamento, o bem permanecia registrado em nome do autor”, explicou o delegado.

O inquérito teve início após a identificação de um padrão de ostentação incompatível com as atividades laborais declaradas pelo casal investigado. “Diante da constatação de que o casal ostentava patrimônio de alto valor sem comprovação de atividade lícita, foi deflagrada a operação para o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e das prisões”, informou Pimentel.

As investigações apontam movimentações financeiras que somam aproximadamente R$ 70 milhões no período entre 2018 e 2024, envolvendo, além do casal, outros suspeitos. As contas bancárias dos investigados já foram bloqueadas por decisão judicial. Foi apurado ainda que a mulher de 34 anos atuava como administradora dos bens, utilizando seu nome para o registro do patrimônio pertencente à organização criminosa. Já o homem de 37 anos, que possui antecedentes criminais por roubo, furto, estelionato, falsidade ideológica e homicídio, utilizava identidades falsas para a abertura de empresas de fachada.

“Apesar de possuírem tempo considerável de existência, essas empresas nunca chegaram a ter sequer um funcionário registrado”, pontuou o delegado.

Entre os bens bloqueados judicialmente estão imóveis localizados no município de Baixo Guandu e em condomínios de alto padrão, avaliados em mais de R$ 3 milhões. O homem responderá pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais, falsidade ideológica e estelionato. Já a mulher responderá pelos crimes de lavagem de capitais e organização criminosa.