A fé em Nossa Senhora da Penha continua a atravessar gerações e a inspirar milhares de devotos no Espírito Santo, especialmente durante a tradicional peregrinação até o Convento da Penha, em Vila Velha. Considerada uma das maiores festas marianas do Brasil, a devoção à padroeira do estado é vivida de forma intensa e com grandes manifestações de superação, esperança e gratidão.
Um grupo de aproximadamente 90 peregrinos de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, iniciou a caminhada de mais de 80 quilômetros até o convento na noite de sábado (11), com chegada prevista para a segunda-feira (13). A jornada é um momento de fé, oração e companheirismo, marcada por longas horas de estrada e desafios físicos.
Fé Que Transforma Vidas
Para muitos, como Maria Eliza Bastos, a peregrinação vai além do esforço físico. Ela encontrou, na caminhada, uma renovação espiritual, especialmente após enfrentar um câncer em estágio avançado. Após os médicos diagnosticarem um sarcoma em estágio terminal, Maria Eliza, devota fervorosa de Nossa Senhora, pediu à santa que lhe concedesse mais tempo de vida. Hoje, após ter terminado o tratamento, ela caminha com o grupo como um testemunho de superação.
“Os médicos disseram que era um sarcoma em estágio avançado. Mas, como sou devota de Nossa Senhora, fiz um pedido a ela que me permitisse viver mais um pouco. Estou aqui, em remissão do câncer. A caminhada até o Convento veio para completar essa experiência”, contou Maria Eliza, emocionada.
Ela acredita que a peregrinação também é um gesto coletivo de fé. “O incentivo vem dos outros peregrinos. Às vezes, começamos a rezar juntos, e quando sentimos que a caminhada está difícil, é o apoio mútuo que nos faz seguir em frente.”
O Desafio do Percurso
A caminhada é uma verdadeira maratona de fé, e o grupo percorre 44 km no primeiro dia, com paradas em pontos de apoio nas comunidades de Grapoama, Santa Rosa e Biriricas. Cada parada serve para descanso e alimentação, e a estrutura logística é apoiada pela Prefeitura de Aracruz, Polícia Militar e voluntários que garantem a segurança e o bem-estar dos peregrinos.
Adilson Aleixo, aposentado e também participante da caminhada, destaca a importância do suporte para a realização da peregrinação com segurança: “A peregrinação é puxada, então precisamos de um apoio adequado para que todos consigam concluir com segurança e conforto.”
Adilson lembra de momentos marcantes vividos ao longo dos anos. “Uma vez, um andarilho nos abordou na Serra. Ele estava com dificuldades, então demos a ele uma camiseta do grupo. Ele ficou tão feliz e seguiu conosco até o Convento. Nunca mais o vimos, mas sentimos que a caminhada também o ajudou espiritualmente.”
Chuva ou Sol, a Fé Não Se Abala
Apesar da previsão de chuva para o final de semana, para os peregrinos, o tempo não é um obstáculo. “A gente não escolhe o tempo. Se chover, vamos na chuva. Se fizer sol, vamos no sol. A fé não tem limite”, afirma Elza Selvatici, aposentada e integrante do grupo.
Mais Que um Caminho: Uma Experiência Coletiva
A peregrinação é mais do que uma caminhada de 80 quilômetros; é uma experiência que fortalece a união, a fé e a esperança dos participantes. Para todos, o Convento da Penha, no topo do morro em Vila Velha, é o símbolo máximo da devoção. Como bem coloca Maria Eliza: “A gente pensa que Nossa Senhora está esperando a gente lá. A mãe está esperando a gente na casa dela, para contemplar aquela beleza que é o convento lá em cima.”
E é essa certeza, de que a padroeira está lá, aguardando seus filhos, que faz cada passo valer a pena, transformando o cansaço em renovação espiritual e fazendo da chegada ao destino final um reencontro com a fé que sustenta toda a caminhada.




