A Polícia Federal deflagrou a Operação Colosso para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo um grupo de cinco empresas dos setores de construção, transporte, engenharia e serviços que mantiveram contratos com prefeituras do Espírito Santo.
Segundo a investigação, as empresas firmaram contratos públicos entre 2017 e 2025 que somam R$ 908,8 milhões, parte deles financiados com recursos federais. Pelo menos nove municípios capixabas tiveram contratações com o grupo: Barra de São Francisco, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Iconha, Itapemirim, Presidente Kennedy, Serra, Vila Velha e Vitória.
De acordo com a Polícia Federal, mais de 40% do valor total dos contratos foi firmado com o município de Presidente Kennedy. Em seguida aparecem Serra, com cerca de 15%, e Vila Velha, com aproximadamente 10% dos recursos empenhados. Os investigadores não descartam que outras cidades possam ser incluídas no decorrer das apurações.
Na operação, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão nos municípios de Vila Velha, Guarapari, Serra, Conceição do Castelo e Cachoeiro de Itapemirim. A ação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
Conforme a PF, as empresas contratadas pelo poder público repassavam parte dos serviços para outras companhias, que seriam utilizadas para ocultar e dissimular a origem dos recursos. A investigação aponta ainda movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas pelas empresas, além de transferências entre integrantes do grupo e elevados saques em dinheiro vivo.
Os investigadores identificaram saques superiores a R$ 30 milhões em espécie, prática que, segundo a corporação, dificulta o rastreamento dos recursos. Durante o cumprimento dos mandados, também foram apreendidos R$ 270 mil em dinheiro.
As investigações tiveram início em setembro de 2024, após a prisão de dois homens flagrados transportando R$ 2 milhões em espécie em duas mochilas e uma sacola. Um dos suspeitos é apontado pela Polícia Federal como “laranja” do esquema e, juntamente com o outro investigado, já foi denunciado à Justiça.
A partir desse episódio, os investigadores rastrearam o caminho do dinheiro para identificar sua origem, o que levou à Operação Colosso. Segundo a Polícia Federal, o nome da operação faz referência à aparente solidez patrimonial e financeira dos investigados, que seria sustentada por supostos mecanismos de ocultação e dissimulação de recursos ilícitos.
A investigação segue em andamento. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre as acusações, e os fatos ainda serão analisados pela Justiça.




