Indígenas bloquearam novamente o Ramal Piraqueaçu, da Estrada de Ferro Vitória/Minas, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Essa ferrovia é a única em operação no estado e conecta Vitória e Minas ao município de Barra do Riacho, onde se localizam os portos da região.
O protesto aconteceu poucos dias após a remoção dos manifestantes pela polícia, que cumpriu uma ordem judicial da Justiça Federal a pedido da Vale, responsável pela ferrovia. A retirada ocorreu na última terça-feira (6).
Os indígenas estão protestando contra o acordo de reparação relacionado ao rompimento das barragens da Samarco, firmado em outubro de 2024, entre a Vale, BHP (proprietárias da Samarco), o governo federal e outras entidades. O bloqueio no ramal aconteceu entre os dias 22 de outubro e a última terça-feira, totalizando 76 dias. Após a intervenção policial, a via ficou aberta por dois dias, mas foi bloqueada novamente na última sexta-feira (9).
Em nota, a Vale afirmou que está tomando as medidas necessárias para retomar a operação do ramal, ocupada de forma “ilegal” pelas comunidades indígenas. A empresa ressaltou também que os compromissos relacionados ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), estão sendo cumpridos integralmente pela Samarco.
Barra do Riacho é sede de grandes portos, como o Portocel e o Porto da Imetame, além de uma área que será desenvolvida pela Vports. A região se consolidou como um importante hub portuário, com grandes perspectivas de crescimento nos próximos anos. A operação da Imetame, prevista para começar em meados de 2026, será capaz de receber navios de grande porte, com calado superior a 18 metros, movimentando diversos tipos de carga.




