Reparos de fios de internet em Colatina são feitos sob escolta policial após ação de facção criminosa

Após uma operação que resultou na prisão de quatro pessoas no bairro Operário, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, na noite de quinta-feira (19), a tarde desta sexta-feira (20) foi dedicada à recuperação das redes de internet. Empresas provedoras estão, gradualmente, restabelecendo o serviço para os moradores da região.

O grupo criminoso, vinculado a uma facção de tráfico de drogas, é suspeito de cortar cabos das operadoras para monopolizar o fornecimento de internet paralela no local.

Por precaução, as equipes técnicas realizaram os reparos sob escolta policial. Moradores informaram que estavam sem conexão há cerca de duas semanas, o que também afetou as ligações telefônicas.

“Não estava conseguindo usar a internet para nada. Nem a ligação funcionava. A pessoa me ligava e não ouvia nada”, relatou um morador.

O tenente-coronel da Polícia Militar, Ricardo dos Passos Lyrio, explicou que os criminosos estavam tentando dificultar os serviços das operadoras para estabelecer uma operação clandestina no bairro. Durante a ação, dois jovens, identificados como Alexandre Horta da Silva Araújo e Brayan Santos Birchner, ambos de 18 anos, foram presos e levados ao sistema prisional. Outros dois adolescentes passaram por audiência de custódia e foram liberados. Segundo a polícia, um dos adolescentes fez uma chamada de vídeo para o traficante Hugo Henrique dos Santos, que, durante a ligação, ameaçou os militares. Hugo Henrique, que possui seis mandados de prisão em aberto, é um dos líderes da facção Tropa do Urso e, conforme a polícia, se encontra escondido em uma favela do Rio de Janeiro, de onde comanda as ações criminosas.

A situação gerou medo nos moradores, que destacam que o bairro sempre foi tranquilo. Agora, eles aguardam a normalização dos serviços e um aumento na segurança da região, diante das ações orquestradas pela criminalidade.

Em nota, a Conexis, entidade que representa as empresas de telecomunicações, afirmou que “o bloqueio de acesso das equipes das prestadoras em algumas regiões pode afetar a capacidade das empresas de realizar manutenção e instalação de equipamentos. Essas restrições estão se expandindo e ocorrendo em diversas localidades, prejudicando o fornecimento e a qualidade dos serviços, além de colocar em risco a integridade das equipes das operadoras.” A entidade concluiu, defendendo uma ação coordenada de segurança pública entre os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, nos níveis federal, estadual e municipal, para garantir que as empresas possam operar de forma segura e que a população tenha acesso livre aos serviços essenciais de telecomunicações.