sexta-feira, 13 março, 2026
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Vereadora enfrenta agressão verbal em São Domingos do Norte

São Domingos do Norte, uma das duas únicas cidades do Espírito Santo comandadas por uma mulher, a prefeita Ana Malacarne (MDB), foi palco de um episódio que mostra como, mesmo no espaço do poder, as mulheres ainda enfrentam desafios. O município, com 9 mil habitantes e situado no noroeste capixaba, foi cenário de uma agressão verbal sofrida pela vereadora Andressa Siqueira (MDB) na última segunda-feira (9), logo após o Dia Internacional da Mulher.

Durante uma reunião da Comissão de Educação, Saúde e Assistência da Câmara Municipal, Andressa foi alvo de insultos de cunho sexual por parte do vereador Celso Padilha (Republicanos). A agressão ocorreu em um momento de divergência de opinião, quando o vereador, em uma postura desrespeitosa, fez comentários inapropriados diante da vereadora e de uma servidora da Casa.

Segundo Andressa, o vereador se levantou e, de forma provocativa, disse: “Os meus ovos precisam de liberdade”, referindo-se de maneira vulgar aos seus órgãos genitais. Além disso, em outro momento, Padilha teria perguntado a uma funcionária se ela havia deixado um “remédio pra levantar pau”. As palavras chocantes e desrespeitosas foram testemunhadas por outra vereadora e pelo procurador-geral da Câmara.

Em meio ao desconforto, Andressa desmaiou após o incidente, e a prefeita Ana Malacarne, que estava presente na sessão, ouviu o relato da vereadora ao tomar a tribuna.

Resposta Rápida e Punição

A reação da Câmara Municipal foi rápida e contundente. No dia seguinte, 10 de março, a Mesa Diretora, presidida por Serginho Tamanini (Podemos), protocolou uma representação contra Padilha por quebra de decoro parlamentar. O vereador, aparentemente ciente da gravidade dos seus atos, optou por abrir mão de seu direito de defesa, acelerando o processo.

Ainda no dia 10, Andressa promoveu uma sessão solene em alusão ao Dia da Mulher, na qual diversas mulheres de São Domingos do Norte foram homenageadas. O vereador Celso Padilha, no entanto, não compareceu ao evento. No dia 11, a Câmara votou a representação contra Padilha, que foi suspenso de suas funções por 30 dias, sem remuneração, após aprovação da punição com um placar de 7 a 1.

O Relato de Andressa

Com emoção visível, Andressa Siqueira subiu à tribuna e descreveu a agressão de forma impactante:

“Hoje fui agredida e desrespeitada pelo vereador Celso Padilha. Estávamos em uma reunião onde divergíamos politicamente, como é natural. Mas o vereador me agrediu de maneira inaceitável, abriu as pernas e disse: ‘Os meus ovos precisam de liberdade’. Ele riu e debochou. Além disso, ainda fez uma pergunta vulgar a uma funcionária sobre um ‘remédio pra levantar pau’. Desculpem as palavras, mas foi assim que ele se expressou”, relatou a vereadora.

Andressa enfatizou que, apesar do ataque, não desistiria de sua luta. “Eu cresci no meio de homens que desrespeitavam mulheres, mas não tenho medo. Não vou permitir que isso continue. Vamos cortar essa corrente de agressões. Eu vou ser a primeira, mas não a última!”

As outras vereadoras, Moa Rô do Salão (MDB) e Rô do Salão, se solidarizaram imediatamente com Andressa e assinaram uma nota de repúdio contra a atitude de Padilha. “É inadmissível. Eu não vou aceitar isso, como Procuradora da Mulher. Vamos fazer justiça”, afirmou Rô do Salão.

A Reação de Celso Padilha

Após o discurso de Andressa, o vereador Celso Padilha subiu à tribuna e pediu desculpas publicamente, sugerindo que já havia tentado se desculpar anteriormente. No entanto, o pedido de desculpas foi interrompido por um momento dramático: Andressa desmaiou durante a sessão, levando o presidente da Câmara a suspender a reunião.

A sessão foi retomada dois dias depois, já com a votação do afastamento de Padilha. Até a publicação deste texto, o vereador não havia dado sua versão dos fatos.