quinta-feira, 9 julho, 2026
Início Cidades Clima Espírito Santo cria força-tarefa para enfrentar estiagem provocada pelo Super El Niño

Espírito Santo cria força-tarefa para enfrentar estiagem provocada pelo Super El Niño

O Governo do Espírito Santo anunciou nesta quarta-feira (8) um plano de ações para minimizar os impactos do chamado Super El Niño, fenômeno climático que deve provocar uma estiagem prolongada, principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Estado.

Entre as medidas está a criação do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), responsável por coordenar as ações dos órgãos estaduais durante o período crítico. O plano também prevê a emissão de boletins meteorológicos diários e relatórios semanais, além do reforço no monitoramento das condições climáticas, da segurança hídrica e da prevenção aos incêndios florestais.

As estratégias foram apresentadas pelo governador Ricardo Ferraço durante coletiva de imprensa realizada na Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec), com a participação de representantes de diversos órgãos estaduais.

Segundo o governador, embora não seja possível evitar os efeitos do fenômeno climático, o Estado está se preparando para reduzir seus impactos econômicos e sociais por meio de ações preventivas. A expectativa é de que o mês de agosto concentre os efeitos mais severos da estiagem.

“Estaremos ampliando as ações para o período em que está prevista uma estiagem mais longa, que poderá trazer consequências econômicas e sociais para o Espírito Santo”, afirmou.

Plano prevê ações em três frentes

Na área de segurança hídrica, o Governo do Estado vai perfurar 90 poços, contratar carros-pipa, implantar novos reservatórios, executar contratos para reduzir perdas no sistema de abastecimento, monitorar as vazões dos rios e atualizar o Plano Estadual de Recursos Hídricos.

No eixo de monitoramento, serão divulgados boletins meteorológicos diários e relatórios semanais sobre a evolução do fenômeno. Também haverá acompanhamento em tempo real dos focos de incêndio e das condições hídricas em todo o Estado.

Já as ações de prevenção de incêndios incluem campanhas de conscientização, distribuição de materiais educativos, patrulhas preventivas, reforço da fiscalização ambiental e operações de combate aos incêndios florestais.

Por que o fenômeno é chamado de Super El Niño?

De acordo com o Governo do Estado, o fenômeno recebe a classificação de Super El Niño devido à intensidade e, principalmente, à duração prevista. A estimativa é que seus efeitos avancem para além de 2026, provocando seca prolongada, temperaturas acima da média, ondas de calor e aumento do risco de incêndios em vegetação.

Estiagem será o principal desafio

Enquanto em estados da Região Sul o El Niño costuma provocar aumento das chuvas, no Espírito Santo o cenário esperado é o oposto. A previsão aponta para um longo período de estiagem, com impactos diretos sobre o abastecimento de água e a produção agrícola, setor considerado um dos mais vulneráveis aos efeitos da seca.

Defesa Civil explica o fenômeno

O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Benício Ferrari Júnior, explicou que o El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, alterando a circulação das massas de ar e o regime de chuvas em diferentes regiões do planeta.

Segundo ele, o histórico climático mostra que, no Espírito Santo, a maioria dos episódios de El Niño resulta em redução das chuvas, aumento das temperaturas e maior incidência de incêndios em vegetação.

Apesar desse cenário, o coordenador ressaltou que episódios de chuva intensa e localizada podem ocorrer durante o período.

“Podemos ter um município registrando alagamentos em um único dia, enquanto outras regiões do Estado enfrentam condições severas de seca e incêndios”, explicou.

População terá papel fundamental

A Defesa Civil destacou que a participação da população será essencial para reduzir os impactos da estiagem. A orientação é seguir as recomendações de economia de água, respeitar os horários definidos para irrigação das lavouras e evitar qualquer prática que possa provocar queimadas.

O órgão também alertou que, durante o período mais seco do ano, as condições climáticas, como baixa umidade do ar, altas temperaturas e ventos intensos, favorecem a rápida propagação do fogo, tornando as queimadas ainda mais perigosas.