Responsável por cerca de 70% das exportações brasileiras de café, o Porto de Santos segue como principal corredor logístico do setor, mas enfrenta gargalos que comprometem a competitividade do produto nacional. Diante desse cenário, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) aposta que os novos terminais portuários previstos para o Espírito Santo, a partir de 2027, poderão atrair parte significativa dessa movimentação.
Dados do Cecafé mostram que, no ano-safra 2025/26, o Porto de Santos respondeu pelo embarque de 28,85 milhões de sacas, o equivalente a 75% das exportações brasileiras de café. O complexo portuário do Rio de Janeiro ficou em segundo lugar, com 8,24 milhões de sacas, representando 21,4% do total exportado.
Já os demais portos brasileiros, incluindo os do Espírito Santo, responderam por menos de 1% dos embarques. Atualmente, os terminais capixabas operam, principalmente, com cabotagem, sem realizar exportações diretas de café para o mercado internacional.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a deficiência da infraestrutura portuária brasileira tem provocado atrasos frequentes e aumento dos custos logísticos.
“Com infraestrutura defasada nos principais portos do Brasil, vimos pátios abarrotados e muitos atrasos na saída dos navios ao exterior, o que impossibilitou o embarque de centenas de milhares de sacas e gerou prejuízos milionários aos exportadores com custos extras devido à armazenagem adicional, pré-stacking e detentions”, afirmou.
Espírito Santo ganha espaço no setor
Para o Cecafé, a entrada em operação de novos terminais portuários no litoral capixaba tende a redistribuir parte da carga atualmente concentrada em Santos, ampliando a competitividade das exportações brasileiras.
Ferreira destaca que o Espírito Santo reúne vantagens logísticas importantes, como a proximidade de grandes regiões produtoras de Minas Gerais, principal estado produtor de café do país, além da liderança nacional na produção de café conilon.
“A nossa expectativa é muito boa. Há muitos investidores visitando o Espírito Santo para conhecer os projetos em andamento. O Estado já responde por cerca de 70% da produção brasileira de conilon e os novos terminais deverão desafogar o Porto de Santos. Aracruz está a menos de 400 quilômetros de importantes regiões produtoras de Minas Gerais, o que favorece a migração de parte dessa carga para os portos capixabas”, destacou.
Na avaliação do dirigente, além de ampliar a participação do Espírito Santo nas exportações de café, os investimentos deverão impulsionar toda a cadeia de serviços ligada ao setor, fortalecendo a logística, o transporte e a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.





