Após 25 anos de negociações, os embaixadores da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul. O tratado estabelece o maior pacto comercial do mundo, abrangendo um mercado de 722 milhões de consumidores, e recebeu sinal verde para ser assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na próxima semana no Paraguai. A decisão ocorreu apesar da forte resistência liderada pela França, que não conseguiu reunir apoio suficiente para bloquear o avanço diplomático.
O acordo prevê a eliminação de tarifas sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os blocos e ganhou peso geopolítico como uma resposta ao protecionismo de Donald Trump e às recentes tensões internacionais. O governo alemão celebrou o tratado como um sinal vital no cenário atual, projetando um aumento de até 39% nas exportações europeias e a criação de 440 mil postos de trabalho no continente, consolidando parcerias estratégicas diante da crise no multilateralismo.
A aprovação foi viabilizada após uma mudança de postura da Itália, que retirou sua oposição em troca de concessões significativas, incluindo a antecipação de € 45 bilhões em subsídios e flexibilização em taxas de carbono. Sem o apoio italiano, a França ficou isolada e sem a minoria de bloqueio necessária, o que agravou a crise política interna no país. Enquanto a decisão era tomada, agricultores franceses protestavam em Paris, aumentando a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro Sébastian Lecornu.
Agora, o documento segue para ratificação no Parlamento Europeu, com previsão de conclusão até abril, embora grupos de oposição tentem levar o tratado ao Tribunal de Justiça da UE para atrasar o processo. O volume de transações entre os dois blocos já alcança a marca de € 111 bilhões anuais, com a Europa focada na exportação de maquinário e produtos químicos, enquanto o Mercosul lidera o envio de produtos agrícolas e minerais.




