quarta-feira, 29 julho, 2026
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Espírito Santo amplia industrialização e avança para se tornar o maior processador de café do Brasil

Em um movimento que reforça a agregação de valor à cadeia cafeeira, o Espírito Santo recebeu, em 2025, três novas indústrias voltadas ao processamento de café. As unidades foram instaladas em Linhares, Sooretama e Viana, cada uma especializada em um segmento distinto da produção.

Em Linhares, a OFI inaugurou uma fábrica de café solúvel após investir R$ 1 bilhão no empreendimento, que deve gerar 300 empregos diretos. Em Sooretama, a DM Brasil colocou em operação uma unidade dedicada à produção de café descafeinado, com capacidade para processar 400 mil sacas por ano e investimento de R$ 160 milhões. Já em Viana, a Real Café Reserva aplicou R$ 20 milhões em uma fábrica voltada à produção de cafés especiais.

Embora atendam a nichos diferentes, os três empreendimentos refletem uma mesma estratégia: fortalecer a industrialização do café no Espírito Santo. Líder nacional na produção de café conilon, o estado também se consolida como um dos principais polos brasileiros de processamento do grão, ampliando sua participação nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.

O impacto dessa transformação pode ser observado no comércio internacional. Entre os maiores exportadores de café em valor estão Alemanha, Suíça e Itália, países que não cultivam o grão, mas concentram etapas como processamento, industrialização, desenvolvimento de marcas e comercialização de produtos finais. Com isso, capturam uma parcela significativa da rentabilidade gerada pelo café, superando em valor exportado nações tradicionalmente produtoras, como Colômbia, Indonésia e Etiópia.

Na avaliação do economista-chefe da Apex Partners, Orlando Caliman, a maior rentabilidade da cadeia cafeeira está justamente nas fases posteriores à produção agrícola. “A margem do café não está na lavoura. Está no processamento”, resume.

Segundo Caliman, Alemanha, Suíça, Itália e Holanda exercem influência sobre o mercado global ao concentrarem o consumo, os estoques e a comercialização do produto industrializado. “Condição que os coloca também como players decisivos do lado da demanda do café na condição de commodities. Trata-se de uma armadilha de difícil desarme. O Brasil, em parte pelo protagonismo do Espírito Santo, começa a quebrar essa lógica”, afirma.